Aço Ferramenta | Trabalho a Quente | Tratamento Térmico

Tratamento Térmico de Aço Ferramenta para Trabalho a Quente

Os aços ferramenta para trabalho a quente são os graus de cromo, tungstênio e molibdênio que mantêm sua dureza enquanto a face da ferramenta opera a quente, e são os mais fáceis de temperar entre as famílias de aços ferramenta e os mais fáceis de arruinar por aquecimento descuidado. Quase todos endurecem ao ar parado, nenhum deles é jamais temperado em água, e todos precisam ser protegidos contra cementação e descarbonetação em toda a faixa de austenitização. Esta página contém a tabela de práticas consolidadas para a família a partir do artigo fonte, as regras de recozimento, pré-aquecimento, austenitização e têmpera que a acompanham, e as duas figuras sobre taxa de resfriamento que decidem qual será a estrutura.

Práticas recomendadas para aços ferramenta para trabalho a quente

A tabela abaixo é o resumo fonte para toda a família, e abrange os graus de cromo H10 a H19, os graus de tungstênio H20 a H26 e os graus de molibdênio H41 a H43, juntamente com os graus ligados 6G, 6F2 a 6F7 e 6H1 a 6H2 que a fonte agrupa com eles porque também são usados para trabalho a quente. A coluna de normalização é curta porque o grupo é parcial ou totalmente temperável ao ar, e a normalização não é recomendada para nenhum deles exceto o 6F7.

AçoTemperatura de normalização (a), °C (°F)RecozimentoEndurecimento
Temperatura (b)Taxa de resfriamento (c)Dureza recozida, HBPré-aquecimento, °C (°F)AustenitizaçãoTempo de manutenção, minMeio de têmperaDureza após têmpera, HRC
°C°F°C/h°F/h°C°F
Aços ferramenta para trabalho a quente ao cromo
H10Não rec845-9001550-16502240192-229815 (1500)1010-10401850-190015-40 (d)A56-59
H11Não rec845-9001550-16502240192-229815 (1500)995-10251825-187515-40 (d)A53-55
H12Não rec845-9001550-16502240192-229815 (1500)995-10251825-187515-40 (d)A52-55
H13Não rec845-9001550-16502240192-229815 (1500)995-10401825-190015-40 (d)A49-53
H14Não rec870-9001600-16502240207-235815 (1500)1010-10651850-195015-40 (d)A55-56
H16Não rec870-9001600-16502240212-241815 (1500)1120-11752050-21502-5A, O55-58
H19Não rec870-9001600-16502240207-241815 (1500)1095-12052000-22002-5A, O52-55
Aços ferramenta para trabalho a quente ao tungstênio
H20Não rec870-9001600-16502240207-235815 (1500)1095-12052000-22002-5A, O53-55
H21Não rec870-9001600-16502240207-235815 (1500)1095-12052000-22002-5A, O43-52
H22Não rec870-9001600-16502240207-235815 (1500)1095-12052000-22002-5A, O48-57
H23Não rec870-9001600-16502240212-255815 (1500)1205-12602200-23002-5O33-35 (e)
H24Não rec870-9001600-16502240217-241815 (1500)1095-12302000-22502-5A, O44-55
H25Não rec870-9001600-16502240207-235815 (1500)1150-12602100-23002-5A, O46-53
H26Não rec870-9001600-16502240217-241870 (1600)1175-12602150-23002-5A, O, S63-64
Aços ferramenta para trabalho a quente ao molibdênio
H41Não rec815-8701500-160022 (f)40 (f)207-235730-845 (1350-1550)1095-11902000-21752-5A, O, S64-66
H42Não rec845-9001550-16502240207-235730-845 (1350-1550)1120-12202050-22252-5A, O, S54-62
H43Não rec815-8701500-160022 (g)40 (g)207-235730-845 (1350-1550)1095-11902000-21752-5A, O, S54-58
Outros aços ferramenta ligados
6GNão rec790-8151450-150022 (h)40 (h)197-229Não req845-8551550-1575. . .O (i)63 min (j)
6F2Não rec780-7951440-146022 (k)40 (h)223-235Não req845-8701550-1600. . .O (i)63 min (j)
6F3Não rec760-7751400-142522 (l)40 (h)235-248Não req900-9251650-1700. . .A (m)63 min (j)
6F4Não rec7051300(n)(n)262-285815 (1500)1010-10201850-1870. . .O, A38-41 (e)
6F5Não rec8451550(o)(o)262-285Não req8701600. . .O, A58-59
6F6Não rec845 (pacote)1550 (pico)(p)(p)196650-705 (1200-1300) (q)925-955 (q)1700-1750 (q). . .O (r)(s)
6F7845-870 (1550-1600)67012402240260-300730 (1350)9151675. . .A54-55
6H1Não rec845155022 (t)40 (t)202-235760-790 (1400-1450)900-9401650-1725. . .A48-49
6H2Não rec815-8451500-15502240202-235705-760 (1300-1400)980-10651800-1950. . .O, A52-55

Source, Table 9 of Heat Treating of Specific Classes of Tool Steels. A, air; O, oil; S, salt; Not rec, not recommended; Not req, not required. (a) Holding time, after uniform through heating, varies from about 15 min for small sections to about 1 h for large sections, and the work is cooled from temperature in still air. (b) Use the lower limit for small sections and the upper limit for large sections, holding about 1 h for light sections and small charges to about 4 h for heavy sections and large charges, or 1 h per inch of pack cross section for pack annealing. (c) Maximum rate, to 425 °C (800 °F) unless a footnote says otherwise. (d) For open furnace heat treatment, or ½ h per inch of pack cross section for pack hardening. (e) Temper to precipitation harden. (f) To 540 °C (1000 °F). (g) To 480 °C (900 °F). (h) To 370 °C (700 °F). (i) To 205 to 175 °C (400 to 350 °F), then air cool. (j) Temper immediately. (k) For isothermal annealing, furnace cool to 650 °C (1200 °F), hold for 4 h, furnace cool to 425 °C (800 °F), then air cool. (l) For isothermal annealing, furnace cool to 670 °C (1240 °F), hold for 4 h, furnace cool to 425 °C (800 °F), then air cool. (m) and (p) Cool with a forced-air blast to 205 to 175 °C (400 to 350 °F), then cool in still air. (n) Air cool from the annealing temperature. (o) Furnace cool at 22 °C (40 °F) per hour maximum to 425 °C (800 °F), reheat to 595 ± 14 °C (1100 ± 25 °F), furnace cool to 425 °C (800 °F), then air cool. (p) Furnace cool at 17 °C (30 °F) per hour to 540 °C (1000 °F), reheat to 790 °C (1450 °F), furnace cool at 11 °C (20 °F) per hour to 540 °C (1000 °F), then air cool. (q) Heat in pack or in a controlled atmosphere. (r) To 50 °C (125 °F). (s) Pack heating 59 to 60 HRC, atmosphere heating 54 to 55 HRC. (t) For isothermal annealing, hold at 845 °C (1550 °F) for 2 h, furnace cool to 745 °C (1375 °F), hold for 4 to 6 h, then air cool. The source prints the 6F6 annealing temperature as 1550 (peak); it is reproduced here exactly as printed.

Prática de recozimento

O aquecimento para recozimento deve ser lento e uniforme, e isso é mais importante quando uma ferramenta endurecida está sendo recozida para retrabalho, porque uma ferramenta dura colocada em um forno quente pode trincar. Na prática, a taxa de resfriamento é definida pelo forno e não pelo operador, já que uma carga grande resfria mais lentamente que uma leve. O resfriamento no forno até 425 °C (800 °F) a não mais que 22 °C (40 °F) por hora e depois o resfriamento ao ar é suficiente para a maioria desses aços. Os tipos 6F2, 6F3 e 6H1 podem ser recozidos isotermicamente como alternativa, o que compensa em ferramentas pequenas que cabem em banho de sal ou chumbo ou em cargas pequenas de forno, e não oferece vantagem alguma em um bloco de matriz grande.

Peças pequenas geralmente são recozidas em pacote para reduzir a carepa e a descarbonetação, e blocos de matriz grandes geralmente são recozidos em atmosfera controlada. O material de empacotamento deve ser cavacos de ferro fundido usados ou coque de piche usado e coque de petróleo que tenha sido aquecido a 1205 °C (2200 °F) em um recipiente semifechado para eliminar gás e umidade. Cal, areia e mica às vezes são usados, mas um aço duro empacotado nesses materiais com um pouco de carvão vegetal pode descarbonetar em vez de ser protegido. O empacotamento deve estar seco, livre de qualquer coisa oxidante, e deve separar toda superfície metálica e preencher o recipiente. A manutenção é de 1 hora por polegada de espessura do recipiente. Os aços H precisam particularmente de um material de empacotamento neutro, porque são extremamente suscetíveis tanto à carbonetação quanto à descarbonetação.

Alívio de tensões, pré-aquecimento e austenitização

O alívio de tensões após a usinagem de desbaste e antes da usinagem final vale a pena em qualquer ferramenta com grande mudança de seção ou cavidade profunda. Aqueça a 650 a 730 °C (1200 a 1350 °F). Há uma alternativa mais precisa para uma ferramenta cuja dureza final permanece dentro da faixa usinável, que é endurecer e revenir após a usinagem de desbaste e depois usinar de acabamento.

O pré-aquecimento antes da austenitização é recomendado para todo aço para trabalho a quente, exceto 6G, 6F2, 6F3 e 6F5, que podem ou não precisar dele dependendo do tamanho e da forma. Um bloco de matriz para tratamento em forno aberto entra em um forno que não esteja mais quente que 260 °C (500 °F), enquanto peças empacotadas em recipiente podem entrar em um forno a 370 a 540 °C (700 a 1000 °F). Uma vez que a peça esteja na temperatura do forno, ela é aquecida a 65 a 110 °C (150 a 200 °F) por hora até a temperatura de pré-aquecimento e mantida por 1 hora por polegada de espessura. Termopares devem ficar próximos à peça dentro do recipiente. Acima de 650 °C (1200 °F) é necessária uma atmosfera controlada ou outro meio protetor.

A austenitização a partir do pré-aquecimento deve ser um avanço rápido e não uma subida lenta para H16 a H43 e para 6F4. O tempo na temperatura de austenitização só precisa ser longo o suficiente para aquecer a peça por completo, exceto para H10 a H14, em que a tabela dá uma faixa de 15 a 40 minutos. Não se recomenda permanência prolongada. O meio protetor é mais importante aqui, porque uma superfície carbonetada em uma matriz de fundição sob pressão é altamente suscetível a trincas térmicas, e uma superfície descarbonetada é pior de forma mais silenciosa. A camada descarbonetada é lida como mole, então a ferramenta é revenida a uma temperatura baixa demais para trazer essa camada à faixa, e então opera com um núcleo duro demais e quebra na primeira aplicação de carga. Uma atmosfera endotérmica de um gerador é a resposta usual, com o ponto de orvalho mantido em 2 a 7 °C (35 a 45 °F), e 3 a 4 °C (38 a 40 °F) é aproximadamente o correto para H11 ou H13 austenitizado a 1010 °C (1850 °F).

Têmpera

Os aços para trabalho a quente vão de alta a extremamente alta temperabilidade, e a maioria deles atinge a dureza total em ar parado. Um bloco de matriz ainda pode ser espesso o suficiente para que o ar não baste, e então é necessário um jato de ar ou uma têmpera em óleo. Aço para trabalho a quente nunca é temperado em água. Um jato de ar deve ser seco e deve atingir a superfície para endurecer uniformemente, e uma matriz que está resfriando ao ar não deve ficar sobre um piso de concreto ou em qualquer lugar onde vapor de água possa alcançá-la.

Os tipos ao tungstênio e ao molibdênio formam muita carepa enquanto resfriam até a temperatura ambiente ao ar. Uma têmpera interrompida reduz essa carepa ao eliminar a longa permanência ao ar em temperatura, ao custo de mais distorção. A forma usual é uma têmpera em sal a 595 a 650 °C (1100 a 1200 °F), mantendo no sal até que a peça atinja a temperatura do banho, depois ao ar. O aço H23 precisa de uma têmpera interrompida diferente porque a ferrita precipita nele rapidamente a 595 °C (1100 °F) e seu Ms está abaixo da temperatura ambiente, então o H23 é temperado em sal fundido a 165 a 190 °C (325 a 375 °F) e depois resfriado ao ar; ele não endurece com a têmpera e atinge sua dureza por endurecimento secundário no revenimento. A peça temperada em óleo é totalmente imersa, mantida até atingir a temperatura do banho e então transferida diretamente para o forno de revenimento, com o óleo entre 55 e 150 °C (130 e 300 °F) e sempre abaixo de seu ponto de fulgor.

O que a taxa de resfriamento faz com a estrutura

O revenimento segue imediatamente após a têmpera, e a sensibilidade a trincas nesse intervalo varia muito em toda a família. Um 6F4 temperado ao ar pode suportar várias horas à temperatura ambiente, enquanto 6G, 6F2 e 6F3 podem trincar se forem resfriados muito abaixo de 175 °C (350 °F) antes do revenimento. O revenimento é normalmente feito em forno de ar com convecção forçada, e banhos de sal funcionam para peças pequenas, mas podem chocar uma peça grande e complexa com força suficiente para trincá-la.

No H13, a taxa de resfriamento entre a têmpera e o revenimento é o que decide a estrutura, e as duas figuras abaixo mostram por quê. Um resfriamento lento demais permite a formação de perlita, e a queda na tenacidade é desproporcional à queda na dureza que a acompanha. A Fig. 1 combina o diagrama de resfriamento contínuo para H13 austenitizado a 1075 °C (1970 °F) com a tenacidade que resulta de cada microestrutura, e a Fig. 2 traça a energia de impacto em função da taxa de resfriamento e mostra as três faixas de tenacidade que a fonte mediu em doze tratamentos.

CCT diagram and toughness of H13 tool steel austenitized at 1075 degrees Celsius, showing the effect of intermediate cooling rates
Fig. 1. Efeito das taxas de resfriamento intermediárias na microestrutura e tenacidade do aço ferramenta H13 austenitizado a 1075 °C (1970 °F). A parte (a) é o diagrama de transformação por resfriamento contínuo mostrando como a microestrutura muda com a taxa de resfriamento, e a parte (b) é a tenacidade em função dos carbonetos ejetados da austenita, a dureza constante. Reproduzido da figura da fonte.
Impact energy against cooling rate for premium H13 tool steel showing three toughness regions
Fig. 2. Energia de impacto em função da taxa de resfriamento para aço ferramenta H13 premium. Reproduzido da figura da fonte. Os doze tratamentos se enquadram cada um em uma de três faixas de tenacidade. A fonte traça a linha prática em 9,5 °C/min (17 °F/min), porque uma estrutura contendo perlita deve ser evitada resfriando mais rápido que isso até que o aço esteja abaixo do nariz da curva da perlita.

Um exemplo prático, o bloco de matriz H13

A fonte fornece um procedimento completo de têmpera em pacote para um bloco de matriz H13 que mostra como as regras acima se transformam em etapas. Um olhal é colocado no bloco para manuseio, o bloco é empacotado em coque de piche usado e a tampa é selada com pasta de amianto, com o empacotamento aplicado em qualquer abertura com mais de 75 a 100 mm (3 a 4 in.) de profundidade. O recipiente entra frio no forno e é aquecido até a temperatura de pré-aquecimento e mantido por 4 h, depois elevado até a temperatura de austenitização por 6 h. O bloco é retirado pelo olhal e resfriado ao ar até 40 °C (100 °F), depois revenido duas vezes, com um resfriamento ao ar até a temperatura ambiente entre os revenimentos, e a dureza verificada após o resfriamento ao ar final. Essa sequência dá os 46 a 49 HRC que a fonte cita para o bloco.

O que verificar antes da liberação

A tabela é a prática da fonte, não um ciclo liberado, e os aços para trabalho a quente punem dois erros mais que quaisquer outros. O primeiro é uma permanência prolongada na temperatura de austenitização, que cresce o grão e custa tenacidade que o revenimento não consegue repor. O segundo é uma superfície desprotegida, que ou carboneta e trinca termicamente ou descarboneta e engana a leitura de dureza. Mantenha o ponto de orvalho, limite a permanência ao tempo necessário para aquecer por completo e revena logo após a têmpera.

Fonte: ASM Handbook, Volume 4, Heat Treating, ASM International, 1991.